Como cadastrar um método?
O cadastro de um método envolve conhecimentos técnicos considerados avançados.
Pré-requisitos
O usuário responsável por cadastrar métodos precisa ser capaz de, por exemplo, criar uma planilha eletrônica de calibração.
Listamos abaixo os conhecimentos que facilitam a leitura deste tópico:
- Ter formação em cálculo de incerteza (ISO GUM).
- Ser responsável técnico, ou seja, equivalente ao signatário autorizado.
- Ter facilidade com modelagem matemática.
- Ter participado do treinamento sobre este assunto com um membro da nossa equipe.
Modelagem
A modelagem é uma forma de equacionar um problema real para que o sistema possa resolvê-lo.
No caso do método, precisamos descrever como a calibração será realizada para que o sistema calcule o resultado da calibração.
Exemplo: medição direta simples
Na medição direta simples temos um padrão (SMP) e um objeto sob calibração (SMC).
Segundo o VIM (Vocabulário Internacional de Metrologia), calibração é, em linhas gerais, a comparação do objeto com o padrão.
A comparação é feita pela diferença entre os dois, obtendo-se o erro:
- Erro negativo: o padrão é maior que o objeto.
- Erro positivo: o objeto é maior que o padrão.
- Erro zero: os dois são iguais.
Modelagem
R = SMC - SMP
Onde:
R: resultado da calibração (erro ± incerteza).SMC: valores do objeto sob calibração, incluindo todos os erros e incertezas das componentes de incerteza do método.SMP: valores do padrão, incluindo todos os erros e incertezas das componentes de incerteza do método.
Parabéns! Você acabou de fazer sua primeira modelagem para um método de calibração. Agora basta cadastrar as componentes de incerteza.
Exemplo: medição indireta com 2 padrões
Neste caso temos dois padrões (SMP1 e SMP2) e um objeto sob calibração (SMC).
A modelagem depende do que está sendo calibrado. Alguns exemplos comuns:
- Razão entre os padrões: cálculo de densidade, vazão ou corrente elétrica em um resistor padrão.
- Produto entre os padrões: cálculo de energia a partir de um padrão de tempo e outro de potência.
- Soma entre os padrões: duas massas ou dois blocos padrões.
Tomando como exemplo o primeiro caso (razão):
SMP = SMP1 / SMP2
R = SMC - SMP
Onde:
R: resultado da calibração (erro ± incerteza).SMC: valores do objeto sob calibração, incluindo todos os erros e incertezas das componentes de incerteza do método.SMP1: valores do primeiro padrão (numerador da divisão), incluindo todos os erros e incertezas das componentes de incerteza do método.SMP2: valores do segundo padrão (denominador da divisão), incluindo todos os erros e incertezas das componentes de incerteza do método.SMP: resultado da razão entre os dois padrões, herdando todos os erros e incertezas dos padrões envolvidos.
Caso necessite de uma modelagem mais complexa, nossa equipe pode ajudar. Solicite um orçamento pelo e-mail: ti@calibre.software
Resultado da calibração
O resultado da calibração é, segundo nossa interpretação da norma, a estimativa de uma tendência (erro sistemático) e sua incerteza expandida de medição.
Dicas e orientações
Instruções básicas
Palavras reservadas
Algumas palavras não podem ser usadas como nome de variáveis, pois são funções ou constantes do sistema — por exemplo: pi, e, cos, sin, entre outras.
Por isso, recomenda-se utilizar letras maiúsculas para nomear variáveis, já que funções e constantes do sistema usam letras minúsculas.
Atenção: não utilize o caractere
_(underline) em nomes de variáveis, pois ele possui uso interno no sistema.
Transdutores
Para configurar a entrada de um transdutor cuja variável seja SMP2 e cuja faixa de entrada seja a do padrão SMP1, inclua a seguinte equação na modelagem:
SMP2Input = SMP1
Importante: variáveis dependentes precisam ser declaradas antes das variáveis das quais dependem. O sistema utiliza ordem alfabética para essa ordenação — portanto, nunca deixe
SMP1dependendo deSMP2, exceto para o mensurando, que sempre será calculado por último.
Leituras dependentes
Para forçar que as leituras da variável SMP2 sejam herdadas das leituras de SMP1, inclua a seguinte equação no início da modelagem:
SMP2Leitura = SMP1
O nome da variável que herda as leituras (SMP2) deve vir depois da variável de origem (SMP1) em ordem alfabética; caso contrário, o cálculo não será possível.
Exemplo de aplicação: útil quando um multicalibrador foi calibrado em bar e se deseja utilizá-lo em psi.
Cálculos no SI
Todas as variáveis são convertidas para o Sistema Internacional (SI) antes dos cálculos. Caso não queira que uma variável seja convertida, acrescente o sufixo not ao seu nome — por exemplo, SMP1not em vez de SMP1.
Use esse recurso apenas quando realmente necessário, pois a conversão de unidades influencia o valor dos coeficientes de sensibilidade.
Soma de padrões
Para métodos com soma de padrões — amplamente utilizados em calibrações de balanças e paquímetros — inclua na primeira linha da modelagem:
SMP = AUTO_SOMA
O sistema buscará automaticamente os padrões que atendam ao ponto calibrado, construindo algo como SMP = SMP1 + ... + SMPn.
Notas importantes
- As variáveis são ordenadas alfabeticamente. Como algumas podem depender de outras previamente calculadas (como no caso de transdutores), escolha os nomes com atenção: variáveis independentes devem ter nomes que as posicionem antes das dependentes na ordem alfabética.
- Para validação da modelagem são utilizados valores aleatórios. Algumas funções, como
termopar, exigem intervalos específicos de entrada — por isso é obrigatório utilizar nomes de variáveis fixos para esse tipo de modelagem. Consulte a seção Funções especiais para mais detalhes.
Funções especiais
pt100
Calcula a temperatura de um sensor PT-100 a partir de sua resistência (em Ohms), utilizando a ITS-90. O resultado é retornado em Kelvin por padrão; opcionalmente, pode-se retornar em graus Celsius.
pt100(Resistor)
pt100(Resistor; 'C')
pt100_inverse
Calcula a resistência (em Ohms) de um sensor PT-100 a partir de uma temperatura, utilizando a ITS-90. A temperatura é lida em Kelvin por padrão.
pt100_inverse(SMP)
pt100_inverse(SMPnot; 'C')
O parâmetro
'C'é opcional e indica que a temperatura fornecida está em graus Celsius.
termopar
Calcula a temperatura de um sensor termopar a partir de sua tensão (em Volts), utilizando a ITS-90. O resultado é retornado em Kelvin por padrão; opcionalmente, pode-se retornar em graus Celsius.
termopar('K'; Tensao)
termopar('J'; Tensao; 'C')
- O primeiro parâmetro é sempre o tipo do termopar.
- O último parâmetro (
'C') é opcional e altera a unidade do resultado para graus Celsius.
Importante: o nome da variável de tensão deve ser obrigatoriamente
Tensao. Qualquer outro nome causará erro na validação, pois os valores aleatórios gerados são incompatíveis com os intervalos esperados pela função. Quando o nome forTensao, o sistema utilizará automaticamente um valor fixo compatível.
termopar_inverse
Calcula a tensão (em Volts) de um sensor termopar a partir de uma temperatura, utilizando a ITS-90. A temperatura é lida em Kelvin por padrão.
termopar_inverse('K'; SMP)
termopar_inverse('K'; SMPnot; 'C')
- O primeiro parâmetro é sempre o tipo do termopar.
- O último parâmetro (
'C') é opcional e indica que a temperatura fornecida está em graus Celsius.
Atenção: o nome da função no documento original contém um erro de digitação (
termopar_inserse). O nome correto étermopar_inverse.
interp
Função de interpolação linear entre dois pontos. Pode ser chamada com 2, 3 ou 4 parâmetros.
Com 2 parâmetros — retorna o valor consultado no vetor, respeitando os limites:
interp(12; [10;14;18]) # retorna 12
interp(7; [10;11;12]) # retorna 10 (menor valor do vetor)
Com 3 parâmetros — interpola um valor entre dois vetores:
interp(ExpressaoA; [0;1;2]; [4;6;8])
interp(SMPLeitura; [0;1;2]; [8;6;4])
Com 4 parâmetros — o quarto parâmetro controla o modo de retorno:
| Parâmetro | Comportamento |
|---|---|
'm' | Retorna o máximo valor encontrado pela interpolação |
'l' | Retorna o lado esquerdo (left) da interpolação |
'r' | Retorna o lado direito (right) da interpolação |
'i' | Retorna o índice (e não o valor) da interpolação |
'mi' ou 'im' | Retorna o índice do máximo resultado |
interp(ExpressaoA; [0;1;2]; [4;6;8]; 'm')
interp(1,5; [0;1;2]; [8;6;4]; 'i') # retorna 1 (índice)
Indicadores do equipamento
Tolerancia
Tolerância do processo ao qual o equipamento está associado, já dividida pelo T.U.R.
Indicadores das faixas
Os valores a seguir são convertidos para o SI, exceto quando o nome da variável possuir o sufixo not.
Exemplo de uso na modelagem (para a variável SMC):
SMCFaixa— valor do campo faixa da faixa definida paraSMC.SMCFundo— valor do campo fundo de escala da faixa definida paraSMC.
Na componente de incerteza, como a variável já está definida, utiliza-se apenas
FaixaouFundo.
| Indicador | Descrição |
|---|---|
Inicio/InicioFT | Início de escala da faixa (FT: função de transferência de transdutores) |
Fundo/FundoFT | Fundo de escala da faixa (FT: função de transferência de transdutores) |
Faixa | Faixa ou valor fixo da faixa da variável |
Indicadores das faixas — sem conversão para o SI
Os indicadores a seguir não são convertidos para o SI.
| Indicador | Descrição |
|---|---|
Resolucao | Resolução da faixa. Pode ser uma fórmula e usar outros indicadores da faixa antes da conversão para o SI. |
Especificacao | Especificação do fabricante cadastrada na faixa da variável. |
Indicadores adimensionais das faixas
Estes indicadores não possuem dimensão específica — sem conversão de unidade. São campos de fórmula que também podem usar outros indicadores da faixa.
Cuidado ao combinar com indicadores que possuem conversão para o SI (como
Leitura), pois isso pode gerar cálculos inesperados.
| Indicador | Descrição |
|---|---|
Constante | Constante de uso geral, normalmente relacionada ao material do instrumento (ex.: densidade, coeficiente de dilatação térmica). |
ValorAuxiliar | Indicador adicional para uso geral, disponível para cálculos que necessitem de um segundo valor auxiliar. |
Indicadores da calibração
| Indicador | Descrição | Unidade |
|---|---|---|
Temperatura | Temperatura média da calibração | °C |
TemperaturaInicial | Temperatura medida no início | °C |
TemperaturaFinal | Temperatura medida no final | °C |
TemperaturaVar | Incerteza ou variação da temperatura | °C |
TemperaturaReferencia | Temperatura de referência (para cálculos que exigem temperatura diferente da ambiente) | °C |
Umidade | Umidade relativa média | % UR |
UmidadeInicial | Umidade medida no início | % UR |
UmidadeFinal | Umidade medida no final | % UR |
UmidadeVar | Incerteza ou variação da umidade | % UR |
Pressao | Pressão atmosférica do local | hPa |
PressaoInicial | Pressão medida no início | hPa |
PressaoFinal | Pressão medida no final | hPa |
PressaoVar | Incerteza ou variação da pressão atmosférica | hPa |
Indicadores das faixas a calibrar
| Indicador | Descrição |
|---|---|
Ponto | Ponto calibrado, conforme informado no campo pontos a calibrar. Não é convertido para o SI. |
Leitura | Leitura ou cálculo da faixa da variável — valor médio calculado, no SI quando aplicável. |
Semiamplitude | Diferença entre a maior e a menor leitura de um dado ponto. Valores não corrigidos, no SI quando aplicável. |
Excentricidade | Maior desvio de excentricidade de uma verificação de excentricidade. Não é convertido para o SI. Recomenda-se seu uso na fórmula de erro de uma componente de incerteza. Deve ser preenchida antes do cálculo dos resultados. |
ExpressaoA | Valor calculado pela Expressão A do cadastro da faixa a calibrar. |
ExpressaoB | Valor calculado pela Expressão B do cadastro da faixa a calibrar. |
Nota sobre
ExpressaoAeExpressaoB: os valores de validação são sempre1,0. Se deixadas em branco e utilizadas como divisor, gerarão erro no cálculo.
Indicadores para busca de resultados de calibrações dos padrões
Exemplo de uso: na componente de incerteza da variável SMP, informe CertificadoErro no campo erro e CertificadoIncerteza no campo incerteza. O sistema realizará automaticamente uma interpolação linear para o ponto calibrado.
| Indicador | Descrição |
|---|---|
CertificadoErro | Interpolação linear do erro do último certificado validado, relativa à faixa da variável. |
CertificadoIncerteza | Interpolação linear da incerteza do último certificado validado, relativa à faixa da variável. |
CertificadoCurvaIncerteza | Incerteza decorrente da curva de calibração utilizada para interpolar os erros do certificado. |
CertificadoHisterese | Histerese calculada para o último certificado validado, relativa à faixa da variável. |
CertificadoDivisor | Interpolação linear do fator de abrangência (k) do último certificado validado, relativa à faixa da variável. |
CertificadoVeff | Interpolação linear do grau de liberdade do último certificado validado, relativa à faixa da variável. |
CertificadoExpressaoA | Expressão A da calibração do padrão utilizado, disponível para uso em componentes de incerteza. |
CertificadoExpressaoB | Expressão B da calibração do padrão utilizado, disponível para uso em componentes de incerteza. |
CertificadoTemperaturaReferencia | Temperatura de referência da calibração do padrão utilizado, disponível para uso em componentes de incerteza. |
CertificadosDeriva | Cálculo da deriva considerando os últimos certificados de calibração validados, relativo à faixa da variável. |